Friday, May 23, 2008

Lookout Mountain Flight Park

Na verdade, depois que partimos para o Tenessee, o tempo melhorou na Florida, e, caso eu tivesse ficado, teria dado para voar no Wallaby também, mas olhando para trás, não me arrependo nem um pouco de ter ido para o Tenessee porque foi muito legal conhecer um lugar novo, voar de montanhas e ainda por cima concluir meu curso de reboque com sucesso, numa operação muito profissional que é a de Lookout Mountain Flight Park.

Mas, quando chegamos a Lookout, que tempo estava fazendo por lá? Chovendo, ora bolas... A má sorte com o tempo parecia continuar... Mas as chuvas no Tenessee eram passageiras e no final da tarde eu já estava pronto para fazer uns vôos duplos rebocados novamente. Vale ressaltar mais uma vez o profissionalismo da operação de Lookout Mountain. A operação toda é coordenada por Matt Taber o proprietário, que é piloto experiente de asa e também de Dragonfly. Deu para notar que o cara é detalhista e que conduz aquilo tudo ali com muito trabalho e autoridade. O parque de vôo é super-integrado à comunidade, sendo muito bem-visto até por gerar um grande movimento turístico na região. Ao redor de Lookout é bem legal notar as diversas sinalizações oficiais, alertando sobre a localização dos picos de vôo-livre.

A sede do parque de vôo, fica na beira da estrada, em Rising Fawn, que é o nome da localidade que se estende na região do penhasco onde fica a área da rampa de concreto radial de Lookout Mountain, que também conta com container de armazenagem de asas, hangar de oficina de asas e ultraleves, veleria e a loja central do parque de vôo. A loja tem tudo que você pode precisar para vôo-livre, assim como a oficina. É tudo caro e eu acho que eles tiram um bom lucro entre loja, movimento de pilotos, e principalmente nos vôos-duplos. Antes de voar rebocado tive que fazer um teste teórico, coisa que para brasileiro pode soar como babaquice, mas que eu achei muito legal, porquê respondeu a algumas dúvidas teóricas que eu tinha e limpou um pouco minha cabeça pois desde o vôo naquele primeiro dia em Wallaby eu não tinha mais pensado muito sobre os procedimentos de rebocagem.

Fiz dois vôos duplos rebocados sendo que no segundo vôo quem fez tudo fui eu, decolando, voando e pousando com o instrutor só assisitindo. Esses vôos duplos foram muito bons especialmente para eu me acostumar à sensação de velocidade que dá ao voarmos rebocados atrás do Dragonfly. No dia seguinte eu já estava cedo no parque para fazer mais um último vôo-duplo antes de voar solo pela primeira vez. Quando chegou a hora de voar solo eu estava totalmente confiante e isso foi muito importante. Abaixo: revisando últimas instruções de procedimento sob observação do Mike Barber.




Já preparado para o primeiro vôo solo numa Falconzinha pano simples especialmente adaptada para decolar e pousar sobre rodas. Por enquanto eu não usaria o carrinho ainda. O piloto que está em pé é o australiano Ron. Além de piloto de duplo ele é piloto de Dragonfly e também de trike.


Após um briefing final, me posicionei e fiquei esperando o Dragonfly chegar para me conectar a ele.



Vale falar aqui um pouco sobre os métodos de conexão com o rebocador. No caso de aerotow, existem basicamente duas formas de se conectar: conexão de 2 pontos, também chamada de "protow" e conexão de 3 pontos, justamente chamada de "3 point". No protow o piloto vai com uma corda de espectra ligando um ombro ao outro e a linha do rebocador se conecta nesta linha que vai de um ombro ao outro. Só há um release nesta montagem, que fica de um dos lados do ombro. É possível voar com um release em cada ombro mas a maioria dos pilotos voa com um release de um lado e um weak-link do outro. Neste caso as forças do rebocador atuam somente no piloto. Após o piloto se soltar ele fica com a pequena linha de espectra amarrada a um dos ombros e a curta conexão original no outro ombro, sendo muito fácil guardar tudo isso nos bolsos do peito do casulo. Então com o protow termina-se com setup de asa-limpa, exatamente como quando decolamos de rampa.

No outro sistema, além desta linha de ombro a ombro, existe uma outra linha, que vai da quilha (ou do mosquetão) até a primeira linha, sendo que a linha de ombro a ombro, passa agora por dentro de um loop no final da 3a linha. O rebocador é conectado nesta terceira linha, num ponto acima do loop. Agora podemos contar com o release primário, que solta a linha da quilha. No evento normal que é o de soltar o primário na linha da quilha, termina-se com uma linha longa de espectra pendurada junto com a linha curta de espectra de ombro a ombro. Temos agora necessidade de guardar um volume maior de linhas dentro dos bolsos. Esse sistema tem o inconveniente adicional de ser um sistema semelhante ao de um freio de bicicleta adaptado sobre a barra de controle, o que gera um arrasto adicional. No caso de o release primário não funcionar e termos que usar o secundário, soltando-se apenas a linha dos ombros, a linha da quilha não se solta e fica pendurada na quilha durante todo o vôo, o que gera mais algum arrasto.


Em compensação o sistema de 3 pontos é muito mais amigável do que o protow, principalmente para o iniciante em rebocagem. O que acontece é que a 3a linha ligada à quilha exerce duas ações que tornam a decolagem rebocada mais fácil e mais segura:

1- diminui a pressão na barra, pois na decolagem rebocada, enquanto o avião está puxando a velocidade é elevada o suficiente para, se deixarmos a barra em neutro, fazer com que a asa ganhe subitamente muita altura. Para deixar a asa sair do carrinho e mantê-la a baixa altura esperando a ascenção do rebocador seria necessário picar muito a asa, o que, além de ser muito cansativo, deixa a asa mais propensa a PIO (oscilações induzidas pelo piloto). Com a força atuando na 3a linha, a asa recebe tensão na direção de manter o bico abaixado reduzindo o trabalho do piloto neste sentido.

2- mantém o nariz da asa direcionado à traseira do rebocador. A teoria de reboque diz que o piloto só deve corrigir tendências de roll, ou seja, de inclinação lateral (bancagem), e de pitch, ou seja, inclinação longitudinal (arfagem) e ignorar totalmente as oscilações de yaw, ou seja, de guinada. Se o piloto tenta corrigir o nariz, é quase certo que ele vai entrar em oscilações e um lockout pode ocorrer subitamente. Lockout é chegar num ponto onde não se tem mais como corrigir uma tendência da asa, nesta hora o cabo de reboque poderá inclusive estar tocando na barra lateral de tão desviada estará a asa. A única coisa a fazer quando isso acontece é desconectar imediatamente, seja através do release ou de uma pressão intencional rápida para cima com a barra para forçar a ruptura do weaklink. Quando isso ocorre a baixa altura, muitas vezes o piloto está desviado do rumo original do reboque e só resta a opção de pousar a favor do vento. Ou seja, os lockouts são tudo de ruim. O método de 3 pontos minimiza então as chances de um lockout, pois, pelo fato de ter uma conexão com a quilha da asa, isso faz com que haja uma tendência em a asa aproar sempre o rebocador.

De fato, eu acho que, pelo menos enquanto um piloto for novato em rebocagem, digamos, menos de 50 vôos rebocados, o sistema de 3 pontos deve sempre ser preferido. Os mais conservadores defendem que este sistema seja usado sempre, mesmo por pilotos experientes, a menos que seja em uma competição, onde o arrasto adicional gerado pelo release primário, pode fazer muita diferença. Em vôos livres de cross usar o release adicional não vai atrapalhar nada e vai aumentar muito a segurança!

O piloto que faria meu primeiro solo era considerado o melhor piloto do parque. Quando se fala melhor piloto, em termos de rebocador, o que se quer dizer é o piloto que realiza as transições com maior suavidade possível, minimizando a necessidade de correção por parte do piloto da asa. A regra de ouro de acordo com Mike Barber é a seguinte: pode-se colocar um piloto novato sendo rebocado por um rebocador experiente, pode-se colocar um piloto de asa experiente sendo rebocado por um rebocador novato, mas nunca se deve usar um piloto de asa e um rebocador novatos!

Dito isso lá estava eu todo conectado e bastante concentrado. Quando Ron me perguntou se eu estava ok eu mandei o barco correr, ele fez o sinal de "GO" para o reboque - girando o braço como se fosse uma hélice - e eu senti a asa acelerar sobre a grama.

A velocidade novamente impressionou mas dessa vez eu já estava mais acostumado e logo logo decolei para cima do trike imediatamente picando a asa para não subir demais. As fotos abaixo são de meu primeiro vôo solo rebocado.






Depois deste primeiro vôo fiquei muito mais confortável. No segundo vôo rebocado com a Falcon, tranquilidade total! Na verdade já estava começando a gostar do procedimento. É gostoso decolar e ir ganhando altura de graça. É legal também ficar concentrado tentando seguir o rebocador com o máximo de finesse, procurando não ficar "pesado" para o rebocador, nem atrapalhar as curvas!

Já era o final do dia, quase 8 da noite, claro ainda e alguns outros reboques ainda esperavam na fila, mas estava na hora de ir descansar.

No dia seguinte, acordei cedo na expectativa de fazer meu primeiro vôo rebocado do carrinho, usando uma asa Sting da Airborne. Eu nunca tinha voado de Sting, mas sabia que era uma asinha bem fácil. Fui primeiro até o quartel-general de Lookout, ao lado da rampa, para pegar a asa, que o Matt já tinha deixado gentimente armada para o reboque, com o release primário colocado no lugar. Beleza, ao invés de dirigir até a área de pouso/reboque, eu poderia ir voando! Decolei da bela rampa radial de Lookout em um dia que, apesar de ensolarado, ainda não trazia nenhuma condição térmica de sustentação. E era melhor que fosse assim para não atrapalhar o primeiro reboque sem carrinho. Depois uma decolagem impecável, zoei um pouco de Sting, retardando o pouso e brincando com a facilidade de pilotar essas asas intermediárias. Encontrei uns bafos de térmicas que prometiam que o dia teria alguma atividade mais tarde. Pousei já próximo à fila de reboque e comecei a me preparar para a decolagem. Tudo igual em termos de setup, mas com a necessidade de testar a melhor posição para segurar as mangueiras de suporte do carrinho. Esses dois curtos pedaços de mangueira, um de cada lado da barra de apoio da asa no carrinho, são a conexão entre o conjunto asa-piloto e o carrinho e devemos segurar firmemente nelas até que a asa atinja velocidade de vôo, evitando assim que, ao passar num buraco no gramado, a asa descole do carrinho e decole antes da hora certa.

Da forma como eu resolvi decolar ficou assim: dedo indicador e médio das mão segurando a mangueira, mão esquerda só com a mangueira esquerda e mão direita com a mangueira direita e com a alça do release nos dedos mindinho e anular. Dessa forma eu poderia me desconectar do primário a qualquer momento, era só puxar minha mão direita para dentro da barra, como se fosse o cabo do VG. Aliás, a Sting tem sistema de VG, e, tal como me havia sido dito, usei VG 50% para decolar. O uso de VG dá maior estabilidade à asa na decolagem rebocada. Só não deve-se usar VG demais para não atrapalhar eventuais correções a baixa altura potencialmente resultantes de uma desconexão baixa por ruptura do weaklink ou de um lockout. Temos que lembrar de estar sempre preparados para pousar imediatamente, quando estamos rebocando.

Tudo pronto, sinal de GO para o rebocador. Desta vez quem estava fazendo meu reboque era o Ron, que também é excelente piloto, mas ele estava de trike e não de Dragonfly, e seria outra novidade. Assim que senti a asa querendo voar minhas mãos instantaneamente e instintivamente soltaram o carrinho. Eu estava esperando que fosse ter que pensar para decidir o momento de soltar o carrinho, e fui surpreendido por ter executado esta ação de maneira 100% automática! Mas foi perfeita a decolagem, e acho que me distraí, sentindo tanto prazer de ter decolado corretamente, e acabei deixando a asa subir mais do que devia. Tomei ação corretiva picando bastante a asa, enquanto via o trike decolar o que ajudaria a normalizar a altitude relativa entre nós dois. No entanto o excesso de velocidade me fez oscilar bastante de um lado para o outro, até que reparei que estava sobre-corrigindo e relaxei diminuindo as oscilações. Mais tarde o Ron comentaria que, quando o piloto do rebocador só está enxergando o piloto da asa no espelho retrovisor hora sim-hora não, é que está na hora de preparar a possibilidade de "dar a corda" ou seja, de o rebocador desconectar e deixar a corda com o piloto da asa, liberando o piloto das oscilações e deixando o mesmo com o problema menor de deixar a corda cair antes de pousar. Se não der tempo, o piloto da asa tem que pousar com corda e tudo! Não foi necessário e logo logo eu já estava estabilizado seguindo o rebocador. Depois de desconectar eu reparei que o vento e a atividade térmica tinham aumentado e isso talvez tenha contribuído para minhas oscilações.

Entrei novamente na fila de reboque, depois de beber muito líquido, disposto a melhorar meu controle na decolagem. Desta vez quem apareceu para me rebocar foi o Dragonfly. Desta vez eu decolei com muita autoridade e fui levando na altura correta até que -plá! - antes que eu tivesse tempo de entender o que tinha ocorrido, eu estava desconectado a 15 metros de altura e tive que pousar imediatamente. O weaklink de meu ombro havia arrebentado. A princípio eu não consegui entender porque. Talvez o próprio weaklink estive um pouco esgarçado. Ou então a turbulência da área de pouso estava influindo. Fosse como fosse voltei para a fila, preparei um outro weaklink e revimeus procedimentos todos enquanto aguardava o rebocador, reparando que o vento estava razoavelmente mais forte agora. Nova decolagem e, desta vez, nenhum imprevisto. Aproveitei as turbulências para prestar o máximo de atenção em seguir o reboque, e pude perceber que apesar de aumentar a atividade do piloto, basta prestar atenção, prevendo suas ações em função do que ocorre com o trike à sua frente, que é possível manter o reboque suave mesmo com térmicas e turbulência no caminho.

Fui até 800 mts e na hora que desconectei o primário resolvi planar até sobre a rampa de Lookout onde a biruta esticada mostrava que poderia haver um lift ao longo do penhasco. E lá estava ele. Chegando a 700 mts sobre o penhasco pude fazer um vôo turístico de 40 minutos, sobrevoando as maravilhosas residências que margeiam o penhasco, e que têm uma vista maravilhosa. Depois de relaxar muito assistindo ao pôr-do-sol, resolvi descer para ter tempo de fazer ainda um último reboque.

Este reboque seria o último do dia e o último da viagem também. Nossos planos eram de voar livre de rampa montanha no dia seguinte, quando então eu aproveitaria para me acostumar com a Litespeed RS e deixar para eu fazer a transição para reboque na RS no outro dia, mas a piora do tempo no último dia impediu que eu fizesse essa transição.

Tuesday, May 20, 2008

Wallaby Ripstiking and Kiting Ranch

Já há muitos anos eu alimentava o desejo de aprender a voar rebocado, mas ao mesmo tempo que eu tinha muito interesse em aprender, eu também achava a idéia de amarrar uma asa-delta num avião uma coisa meio arriscada demais...

Porém, como várias vezes acontece ao longo do aprendizado do vôo-livre, e, por que não dizer, também como na vida, muitas vezes as coisas não são tão perigosas quanto parecem ser. É só mais uma etapa que temos que vencer. Então irei descrever neste post, a viagem que fiz para a Florida a fim de finalmente aprender a voar rebocado.

Aproveitando uma brecha em meu calendário, que coincidia com o calendário de outros pilotos brasileiros que também estavam indo para lá, contando que Maio é tradicionalmente o melhor mês de condição para vôos de XC na Florida, somando a isto o fato de que o Mike Barber estava disponível para fazer mais um pouco de instrução avançada, enfim, tudo apontava para uma viagem perfeita. É... mas só faltou mesmo foi combinar certinho com a meteorologia, porque realmente uma frente fria estacionária na Florida atrapalhou a primeira parte da viagem.

Na verdade, o único dia em que as condições de vôo estavam razoáveis no Wallaby foi o primeiro dia após minha chegada. Logo de manhã, ainda sonolento, fui fazer um vôo duplo rebocado, pilotado pelo Malcolm, dono do Wallaby. O vôo foi legal, achei muito interessante a experiência de decolar do chão e pousar deitado nas rodinhas da própria asa. Sim, porquê as asas de duplo têm um sistema de duas rodas na barra e uma roda numa adaptação na quilha, que permitem que ela decole rebocada sem precisar apoiar num carrinho, e que ela pouse em seu próprio trem de pouso.

Mas sabia eu que aquele seria o único momento em que eu tiraria os pés do chão no Wallaby. O vento naquele dia mesmo já começou a soprar mais forte e nos próximos 5 dias o tempo não mudou, ventania forte desde cedo, às vezes com névoa baixa pela manhã, às vezes com chuva. Como o Malcolm é muito conservador, a regra para iniciantes no reboque é que não sejam feitas decolagens com vento acima de 10 mph.

Sendo assim fui deixando o tempo passar. Mike sugeriu que caso a previsão não melhorasse talvez a gente pudesse ir para o Tenessee voar em Lookout Mountain. Mas como isso envolveria refazer minhas malas, viajar 10 horas de carro, mudar o planejamento dos vôos, etc, acabamos adiando esta hipótese. Talvez se tivéssemos encarado a realidade mais cedo eu teria aproveitado mais vôos no Tenessee, para onde acabamos indo no final das contas.


Enquanto isso eu me distraía aprendendo novas habilidades. No Wallaby Ranch há várias unidades do skate ripstik de duas rodas, que é um skate meio maluco, com uma conexão entre o pé da frente e o de trás que permite que as superfícies "torçam" uma em relação à outra, e isso, aliado às rodas livres faz com que ele se movimente com muita liberdade e dá uma sensação interessante, parecida com estar surfando mesmo, com os movimentos de "batida" muito livres e um "jogo" na hora de fazer as curvas, excepcional. Bem, depois de 4 dias ralando em cima dos ripstiks eu já estava fazendo percursos longos pela estrada interna de asfalto do Wallaby. Usava então o skate como parte de uma rotina diária de malhação, primeiro eu fazia dois percursos de skate até o portão do Wallaby e voltava e depois eu dava uma corrida pelo gramado e usava os carrinhos de reboque como suporte para flexões de braço, uma traves de futebol como barra de exercícios e por aí eu ia, passando meu tempo. Queria ter comprado um ripstick para usar no Brasil mas acabei deixando para comprar no free-shop, pois era muito pesado para ficar carregando. Quando finalmente cheguei no free-shop o ripstik que custava USD 94 estava sendo oferecido por USD 250! Aí não deu mesmo...

Dois dias antes de resolvermos partir para o Tenessee, Konrado e os Vils Brothers também chegaram em Orlando para voar. Os Vils estavam com outros compromissos turísticos e quando viram que não ia dar vôo forma fazer outras coisas. Eu estava ficando maluco depois de 5 dias assisitindo à grama do Wallaby crescer, e quando o Konrado chegou ele começou a botar pilha dizendo que tinha trazido equipamento de kite e que a gente devia aproveitar o vento forte e ir velejar em algum lugar. Eu estava ficando obcecado em esperar o tempo melhorar, e, nervoso porque a viagem estava passando e eu não estava fazendo nada do que havia planejado, hesitava em deixar o Wallaby e depois ficar sabendo que o vento parara no final da tarde e que teria dado para voar se eu tivesse ficado. Mesmo assim a previsão era de vento forte e acabei topando ir caçar algum velejo com o Konrado.

Mike nos emprestou seu carro de resgate para que pudéssemos dirigir até um pico de velejo chamado St. Petersburg. O carro do Mike merecia um post em separado. Uma Toyotinha sedan, década de 80 ou 90, comprado por USD 300,00 e com outros USD 500,00 gastos em reforma, o carro era um fenômeno. Todo ferrado, pintura desbotada, lotado de lixo, sem A/C e com a ventoinha do radiador quebrada, o que nos obrigava a manter o carro em permanente movimento para não ferver! A ordem era não pegar engarrafamento de jeito nenhum! Mas o mais incrível era que o carro rodava muito bem e nos foi de grande utilidade pelos próximos dois dias. Pena que não tirei uma foto da caranga!

Para maltratar ainda mais minhas esperanças meteorológicas, após dirigirmos cerca de 3 horas entre o Wallaby e St. Petersburg, descobrimos que a passagem de um temporal havia matado o vento na costa e ficamos sentados no carro assistindo o vento oscilar entre fraco e muito fraco por umas 2 horas e meia, depois de percorrer todas as prais do pico procurando uma condição melhor. Finalmente no final de tarde, resolvemos seguir um velejador local e dar um bordo numa das praias onde o vento entrava bem de frente. Como a maior pipa do Konrado era tamanho 12, não conseguimos praticamente nada. Aliás só deu para o Konrado dar um velejo safado onde ele mal conseguiu planar algumas poucas vezes. O vento empurrando de volta para a praia não ajudava nada, pois no que ele tentava arribar para pegar velocidade, ou jogar o kite para ganhar power, já estavaa de volta no raso demais. O velejador local, com uma pipa 16 conseguiu dar um velejo social. Nesta foto vemos o Konrado em primeiro plano e Tom, o velejador americano planando atrás. A pipa verde que aparece na foto é a do Tom que aparece velejando mais atrás. Reparem como o vento está fraco. Enquanto isso no Wallaby, o vento continuava roncando.


Bem, diante desse vento frouxo eu nem entrei na água e agora era entrar no carro para dirigir 3 horas de volta. Paramos no Subway para mandar um sanduíchão de 6 dólares. O Subway foi o grande responsável pela nutrição da equipe de kite e asa!


No dia seguinte o vento estava mais forte ainda. A galera estava mais fissurada ainda em arrumar alguma coisa para fazer. Dessa vez queríamos evitar dirigir até o oceano e começamos a estudar os mapas dos lagos próximos ao Wallaby para determinar um que estivesse bom para vento Oeste. Com a ajuda do Mike resolvemos que Clermont Lake seria uma boa opção, a apenas 40 minutos do Wallaby.

Ao chegarmos em Clermont realmente parecia que tínhamos acertado na pedida. O lago estava coberto de carneirinhos. Parecia Araruama em dia forte. Começamos a rodar em volta do lago procurando um ponto onde desse para montar o kite e entrar com segurança. O problema era que as praias eram estreitas, a sinalização em volta do lago falava que era proibido nadar no lago, devido a buracos fundos existentes logo depois da margem, a água era muito marrom para ver o fundo, a princípio há jacarés em todos os lagos da Florida e ainda por cima o vento estava forte até demais.

Acabamos optando por uma praia em uma das margens, onde a vegetação tinha acabado de ser cortada. Montamos a pipa 10 e ficamos analisando as condições. O problema era que onde a vegetação fôra cortada havia ficado uns cotocos que espetavam o pé para valer. O vento ali na beira também entrava rotorizado pela vegetação e prédios da beira. Como entrar com o kite no ar, com tanto vento, pisando nos cotocos? A solução seria ir de chinelo até o ponto em que daria para pisar na areia e abandonar o chinelo por lá mesmo. Ficamos esperando para ver se o vento dava uma aliviada mas eram 14:30 e até às 15:00hs o vento aumentou ainda mais. Acho que no meio do lago a velocidade seria próxima a 25 kt. Eu nunca tinha velejado de kite com tanto vento. A chegada de um velejador de windsurf, melhorou nosso nível de informação sobre o local. Ele explicou que era tranquilo, fundo de areia e que não tinha muitos jacarés e os que tinham eram pequenos... bem, antes assim...

Konrado resolveu o problema de quem seria a cobaia argumentando que, como eu era mais pesado, eu deveria ir primeiro! Muy amigo! Bem depois de esperar e esperar e diante da perspectiva de mais uma vez voltar ao Wallaby com as mãos abanando eu fiquei mucho macho e falei que eu ia. Konrado decolou a pipa e lá fui eu, tentando controlar a pipa que oscilava com força no vento rajado da beira.

Quando entrei no lago, a água era bem morninha, mas, sendo doce, não flutuava muito, enquanto não me livrei da sombra de vento da margem não consguia dar o water-start e comecei a perder altura. Felizmente não demorou muito até entrar no vento limpo e quando coloquei a pipa para baixo tomei logo um catranco poderoso. Bem, ao menos eu estava velejando. Na verdade eu estava meio voando e meio velejando, porque assim que me aproximei do meio do lago o vento estava realmente over e tinha que fazer força com a borda da prancha para não perder o controle e ser arrastado. Mesmo assim fui arrastado uma porção de vezes. Em algumas delas a pipa caiu na água e me deu algum trabalho para recuperar. Na pior delas eu fui literalmente suspenso para fora da água, dando um salto involuntário e arremessado longe, de costas sem nem entender o que estava acontecendo. É lógico que a cada vez que eu era arrastado, eu perdia muita altura e a perspectiva de orçar de volta para o local de largada tornava-se mais exígua. Num desses arremessos a pranchinha voltou na minha canela com vontade e tomei uma porrada tão forte que fez um corte na canela. Voltei a pensar nos jacarés e achei melhor esquecer a pancada e tratar de sair dali.

Aos poucos fui dominando melhor o kite e me acostumando com o setup do Konrado. Com isso melhorou meu rendimento na orça e comecei a me aproximar mais do ponto de largada. O windsurfista também estava voando ali por perto e fizemos uns pegas alucinantes no meio do lago! O problema era que, ao me aproximar para tentar voltar à praia, eu entrava na zona de turbulência e o kite parava de andar. A solução natural seria ir ganhar altura do outro lado e entrar bem orçado por cima e arribar de volta à praia. O problema era que, devido ao outro lado do lago também ser sombreado de vento, quando eu chegava lá o vento também dava uma morrida. Assim sobrava o espaço do meio para tentar orçar, com muito vento demais e arrastadas ocasionais.

Foi numa das tentativas de aproximação com a praia que tive um problema mais sério, o vento subitamente parou numa turbulência e o kite caiu do céu verticalmente. Quando o vento voltou a inflar o kite, este deu uma cambalhota e inflou de novo, só que agora com as linhas invertidas: as de trás estavam passando pela frente e voltando por trás e vice-versa. Bem, é meio difícil de tentar explicar, mas o fato é que o que já era difícil de controlar agora tinha ficado quase impossível. Orçar de volta não ia dar. Optei então por deixar o kite me arrastar com o vento até a margem de baixo, esperando que o Konrado notasse que eu estava com problemas e fosse me esperar na outra margem.

De fato, foi assim que funcionou, eu estava apreensivo pois teria que dar um jeito de pousar o kite sozinho se o Konrado não estivesse lá, e o vento estava ainda muito forte. Para completar, nesta margem para a qual eu me dirigia, havia uma estrada e fios elétricos. Se tudo mais desse errado me restaria me desconectar do kite e torcer para ele aterrisar num lugar legal e de fácil acesso. Fui deixando o kite me arrastar segurando o chicken-loop com a mão para dar o depower e soltei o quick-release do strap de segurança para não ter nada me conectando à pipa quando chegasse perto da beira. Nessa hora notei o Konrado estacionando a latinha velha do Mike ali na beira e fiquei mais aliviado. Só que exatamente neste momento uma rajada mais forte me arrancou o kite das mãos e foi embolando o dito cujo para a margem. Com um pouco de sorte o kite se acomodou no capim da beira, bem ao lado de uma árvorezinha seca que o teria furado caso ele tivesse voado para ela! Ufa, bastante cansado depois de uma sessão de mais de uma hora, ajudei o Konrado a desmontar e voltamos para a praia de origem para que ele pudesse dar o velejo também.

De volta à praia já eram 16:30hs e o vento começava a diminuir. Quando terminamos de desembaraçar as linhas e inflar o kite, o vento já estava bem mais fraco. A dúvida agora era se haveria vento suficiente para o Konrado entrar com a 10. E a preguiça para montar a 12, com a 10 já inflada ali na praia? Optamos então por aumentar o comprimento das linhas para usar a 10 e lá foi o Konrado testar. Acabou que ele entrou na hora certa para o peso dele e para o tamanho da vela. O vento agora devia estar por volta de 15kts e ele teve uma bela e tranquila sessão e nem teve problemas para retornar à praia orçando. Com o vento mais fraco a turbulência na beira havia diminuído bastante. As fotos abaixo eu tirei do Konrado, pena que não deu para ele tirar nenhuma foto da minha sessão.

Agora sim, de cabeça feita, fizemos novo pit-stop no Subway e voltamos pro rancho Wallaby já pensando que, depois de uma ventaca daquelas o outro dia tinha que amanhecer melhor. Mas a previsão não era boa e ao amanhecer do dia seguinte o vento já estava forte de novo e aí eu joguei a toalha e concordei com o Mike, vamos embora daqui! Até prepararmos tudo já eram 15:00hs e partimos eu, Mike e Konrado, com 3 asas em cima do carro e com o carro tão cheio que para eu entrar no banco de trás neguinho tinha que me apertar com a porta do carro até conseguir fechar! A vantagem era que para dormir ficava até fácil, era só fechar os olhos: eu estava tão apoiado em malas, velas de kite, mochilas e cintos de vôo que não dava nem para mexer muito cabeça. No caminho paramos às 2 da manhã para dormir num hotel e no dia seguinte prosseguimos para Lookout Mountain onde chegamos às 11 da manhã.

Thursday, November 29, 2007

Vôo de sonho ao Cristo

A essas alturas (literalmente) de minha carreira de aprendiz de urubu, já tive o inigualável privilégio de sobrevoar o Cristo Redentor algumas vezes.

Como qualquer piloto carioca pode afirmar, essa é uma aventura que sempre nos irá fascinar.

Lembro-me quando ainda voava restrito ao vale de São Conrado, de como o Cristo parecia um objetivo inatingível. Muitas vezes eu sonhava ter ido ao Cristo, só para acordar no dia seguinte de manhã e perceber que, diante daquele efeito meio etéreo e perturbador - assim como a gente fica logo que acorda de um sonho bem vívido - ele parecia ter ficado ainda mais longe de meu alcance.

Conquistar o Cristo foi então para mim a magia de tornar um sonho em realidade. E a coisa, na verdade, funciona ao contrário, pois o processo inicia-se na forma muito real de aquisição da experiência necessária, sendo em vôos, sendo através de leitura, foruns na internet, conversas com outros pilotos, etc. O interessante é que, quando finalmente consegue-se transformar as idas ao Cristo num processo técnico de vôo, cada uma das idas é recompensada com a sensação inebriante da chegada ao Cristo, e isso aproxima a experiência, novamente, da impressão de meus sonhos! Então ir ao Cristo de asa-delta é antes transformar a realidade em sonho do que o contrário!

Bem, muito já se falou sobre o vôo ao Cristo, então não tenho muito para acrescentar em termos de novidades. Queria apenas postar o vôo ao Cristo que finalmente concretizou meu sonho original. Foi o vôo perfeito. Foi o vôo de meus sonhos. Por quê? Porque voei sozinho, porque fui o primeiro a chegar ao Cristo neste dia, porque voei de forma eficiente, tomando decisões rápidas e corretas, porque cheguei ao Cristo em meio às nuvens, porque pude gritar e compartilhar minha emoção com os turistas que lá estavam, porque foi no dia seguinte ao meu aniversário e posso considerar este vôo um verdadeiro presente que me foi dado, e, por último mas não menos importante, porque pude filmar praticamente o vôo todo! O filme está aqui, e de vez em quando gosto de assisti-lo novamente, as imagens me lembram pura alegria e eu adoro ouvir as músicas, que acho que escolhi muito bem.

"as words settle in the depth
nature moves time
a life´s journey
along the sweet banks of joy...
...sunlight dances bright
all is alive with the light
as splendid wings spread out to fly
we kiss desperate worries goodbye...
...this is the day we are all alive
give thanks..."

Thursday, December 07, 2006

Flight Academy com Mike Barber em Andradas - Parte 3

A 6a-feira amanheceu novamente com uma dia lindo porém com uma mudança no padrão: o vento era de Nordeste e estava bem forte pela manhã. Eu fiquei um pouco apreensivo com a velocidade com que as nuvens passavam sobre a cordilheira mas o César dono da Pousada do Gavião garantia que à tarde o vente iria diminuir. De fato ao chegarmos na rampa o vento era bem forte. Decidimos montar e aguardar e o céu estava mais formado do que no dia anterior. Armandinho era o mais pilhado e já começava a cantar a pedra de partir para Campinas. Mike Barber definiu o dia como um dia forte e meio que no limite do que ele achava razoável pra pilotos de nosso nível.









Eu estava bastante confiante após os 3 primeiros dias e não estava mais apreensivo uma vez que o vento realmente parecia ter dado uma acalmada. Eu e o Mike optamos por decolar com cabo, reparem nas belíssimas formações!

Armando, que novamente foi o 3o, nem precisou de cabo pois o vento diminuía um pouco mais a cada minuto. Dessa vez, após a decolagem, cada um engatou numa térmica diferente e todas levaram-nos rapidamente aos 2.000 mts onde colamos numa base bem escura e derivamos para trás da rampa, sobre o vale do pouso sul. Rapidamente chegamos aos 2.500 mts e as formações estavam fechadas com lift em todas as direções.

Começamos a tirar a favor do vento e íamos, ás vezes, ganhando 2m/s nas retas! Armando e Mike pararam para abastecer mais um pouco numa térmica, Mike deu uma reclamada com a forma de o Armando entrar na térmica porque tinha atrapalhado ele. Eu cheguei depois e engatei numa outra térmica exatamente ao lado assim eu não atrapalharia de jeito nenhum mas o Mike queria era que nós nos acostumássemos a rodar juntos mesmo e comentou meio que brincando: olha lá Armando o Fabiano acha que pode subir melhor que a gente!.

Eu tentei explicar pelo radio que tinha achado mais seguro rodar ali porque estávamos todos mais ou menos na mesma altura e assim haveria mais espaço mas não recebi resposta, resolvi então largar minha térmica e entrar na deles.

Continuávamos subindo e chegando perto das bases negras. Foi mais ou menos nessa hora que o resgate me chamou e o Armando entrou na linha dizendo que eu estava sem comunicação. Aí eu não entendi nada, eu tinha estado falando sozinho o tempo todo! Mas como? Eu havia testado o sistema logo antes de decolar e estava perfeito! Por isso o Mike não havia me respondido nas 2 vezes que o chamei, e eu achando que ele estava muito ocupado pra falar! Logo percebi a origem do problema: o cabo do PTT havia se soltado na decolagem, eu conseguia segurar as duas pontas soltas mas, de luva, era praticamente impossível tentar plugar de volta. Tudo bem, ao menos eu
podia ouvir os outros! Mike passou voando perto de mim e me pediu para fazer sinal com o braço se eu podia ouvi-lo e fiz o sinal então ele sabia que eu tava on-line pra ouvir pelo menos!

Mike avisou que era melhor perdermos alguma altura pois estávamos ficando meio "fechados" em nossa rota. Não precisou falar duas vezes, quando ele olhou pra mim de novo eu já tinha rodopiado 200 mts pra baixo e ele falou "Chega já deu!!".

Mike estava comandando a tirada para fora das formações em direção a Mogi onde estava a borda, o verdadeiro "lip" daquela formação poderosa que estava se desenvolvendo, bombeando as térmicas e nos fornecendo farta energia. Nessa direção era a linha de segurança, o começo de um buraco azul. A idéia do vôo em meio a formações cabulosas era ter sempre um trecho azul para onde escapar em caso de emergência, ou seja, em caso de lift superior a 2,5 m/s em todas as direções!

A esse perigo Mike chama de "The Pinch", ou "O Beliscão", no sentido de que você vai sendo apertado por diversas formações que rapidamente podem fechar aporta de saída. Mas não era definitivamente o caso daquele dia pois voaríamos por muito tempo com todo aquele céu azul à nossa frente seguindo exatamente a beirada, onde as formações iam pipocando. Só que pra trás a coisa parecia ir ficando cada vez mais carregada tanto que à medida que seguíamos em frente quando olhávamos pra trás não havia mais céu azul. Mas como eu ia dizendo, Mike começou a puxar a tirada e Armando foi atrás.

Comecei a voar com 50% de VG e o Mike, lá na frente, estava falando no radio que eu estava voando lento demais. Eu não queria puxar muito o VG pois estava achando o ar meio turbulento só que isso estava fazendo com que eu me cansasse ao empurrar a barra. Mike fez 180 graus e voltou para voar ao meu lado

- Fabiano sua asa tá com muito washout, quanto VG você está usando?
- 50%.
- Caça 75% do VG você está muito lento!

Fiz o que ele mandou e imediatamente a pressão na barra aliviou totalmente e a asa ficou até mais estável nas turbulências! Aceleramos para uns 70Km/h com groundspeed de 80Km/h, o que indicava que lá no alto e perto da base o vento era bem mais fraco. Esse foi o ponto alto da semana!!! Uma tirada incrível, linda, seguindo o Mike e Armando, todo mundo voando rápido e junto em trajetórias paralelas porém com alguma distância lateral, o que aumentava as chances de encontrar lift, voando em leque como diz o Juan! E era assim: de repente eu via a asa do Mike empinar e ganhar muita altura na reta, na mesma hora Armandinho jogava atrás dele e subia muito, eu ia atrás e subia também! De repente o Mike perdia altura e o Armando saía da zona de sink e eu saía também. Mais um pouco e era o Armando que ganhava e lá ia eu na trajetória dele. Em seguida o Armando afundava muito e eu desviava! Dessa forma, me mantendo uns 50 metros atrás dos outros consegui ganhar uma diferença de altitude de uns 500 metros para o Mike e uns 300 para o Armando! Fantástico poder aproveitar a linha dos outros pilotos! Fiquei chateado de não poder fotografar ou filmar aquelas cenas, as asas topless lindas lindas lindas, tirando juntinhas cada uma mostrando seu colorido contra as bases plúmbeas! Com a permissão do Haroldão: "Momentos Mágicos!"

Nessa hora Mike estava em dúvida sobre a melhor linha a seguir: pela direita, onde uma nuvem pequena começava a chover fraquinho molhando um pouco minha viseira, ou pela esquerda, mais da direção de onde vínhamos mas onde as formações haviam se encostado e formado um teto contínuo cinza que obscureceu o chão e momentaneamente parecia ter apagado as térmicas.
Armando sempre impetuoso começou a puxar mais para a direita por conta própria e o Mike reclamou dizendo que assim ele nos obrigaria a seguir pela direita e por enquanto o Mike ia favorecendo a esquerda. Acabou que o Armando voltou pra linha do Mike mas o Mike ralhou com ele falando que com esses desvios a gente estava perdendo metros preciosos, e olha que o desvio do Armando não tinha sido por mais de 2 minutos.

Nessa hora o Mike foi ficando tirando para a esquerda na frente e perdendo muita altura. Armando ia caindo com ele. Eu, bem mais alto nessa hora ainda arrumei uma térmica fraquinha e fiquei ali, de camarote, vendo o Mike trabalhar baixo. Sem ter como avisar ninguém do que eu achara. O Armando, atento, me viu rodando e veio pra baixo de mim mas na altura dele a térmica já não funcionava. Foi nessa hora que o Mike virou-se e, lá de baixo viu a gente rodando! Ficou p. da vida e reclamou com o pobre Armando, que mal havia acabado de jogar embaixo de mim e não tinha tido tempo nem de dar um 360, que, pombas, era para ele avisar quando pegasse algo!! O Armando ficou tentando se explicar e eu comecei a rir, sem poder falar nada pelo rádio! Eu estava me divertindo muito, maravilhado com a facilidade de voar a favor do vento e recompensado com o belo visual das montanhas e daquelas campinas paulistas iluminadas pelo sol na nossa proa!

Mais algum tempo se passou e Mike e Armando foram ficando muito baixos, e onde eles estavam eu não conseguia ver nenhum pouso bom, era difícil avaliar o alcance do planeio deles pois eles estavam bem mais baixo que eu, provavelmente eles teriam alcance de algum pouso, mas nessa hora eu preferi ficar ali pendurado que nem um lustre para ver qual era o coelho que o Mike ia tirar da cartola. Nessa hora ouvi o Mike dizer "Ok guys I´m gonna land". Na verdade, segundo eles me contaram depois, ele tinha falado "Ok guys I think I´m gonna land." Mas eu entendi que ele já tinha se decidido pelo pouso. A nuvenzinha que vinha molhando minha viseira tinha chegado junto de novo e minha térmica tinha praticamente acabado. Mike e Armando pareciam 2 telhadinhos brancos sobre as plantações, eu não podia falar nada com ninguém... pensei "Vou esticar meu voozinho mais um pouco, só pra botar mais uns Km no meu log!".

Assim fiz, abandonei a térmica em direção ao buraco azul, rota de Mogiguaçu, com a nuvenzinha me jogando umas gotinhas pela direita. Cacei 75% e fui amarradão, mais ou menos na mesma velocidade que os carrinhos que seguiam naquela rodovia de autorama lá embaixo! Se eu não achasse nada já tinha escolhido um pouso imenso um pouco mais na frente. Estava na hora de seguir os ensinamentos do guru, se não me falha a memória, num nível básico de tomada de decisões a coisa é mais ou menos assim:

-tomar as decisões sobre a próxima tirada enquanto se está subindo, quando chegar na base da nuvem ou no final da térmica a cabeça já tem que estar fechada com
alguma estratégia.

-fora casos especiais, nunca voltar atrás para perseguir uma térmica que acabou.-tratar a tirada como uma espécie de térmica ao contrário, onde você simplesmente tenta perder o mínimo possível fugindo imediatamente das linha de grande
afundamento,

-perceber os sinais de térmicas altos (nuvens), médios (pássaros) e baixos (gatilhos) e adaptar sua estratégia de acordo.

-maximizar a térmica e sair dela assim que ela comece a perder rendimento

Fui escolhendo minha tirada com carinho e fazendo um "dolphin flight" onde, mesmo que acabasse perdendo altura no agregado, a idéia era planar mais longe possível aumentando as chances de esbarrar em alguma coisa. Logo uma nuvem começou a se formar bem na minha reta e bumba, ganhei de novo! A térmica era fraca e assim que ficou no zero a zero, bem antes da base eu tirei de novo. Estava na verdade amarradaço de estar voando sozinho e, pela primeira vez naquela semana, tomando decisões de vôo por minha própria conta. Melhor do que isso, eu estava me saindo melhor que os outros!

Mas aí é que eu estava enganado. O radio me trouxe a seguinte mensagem: "Ok Armando we´re back at cloud-base let´s go this way..." Caraca, os caras tinham se arrumado e eu é que iria ficar pra trás agora! Ainda tentei olhar pra trás para ver se conseguia enxergá-los mas não tinha a menor chance! Eu não sabia mais onde eles podiam estar em relaçao a mim! O negócio era continuar com meu plano de vôo solo!!

Nessa hora me toquei que minha última tirada tinha sido de vento cruzado pois eu tinha estado perseguindo o pouso em vez de voar junto com a condição. Com isso a nuvenzinha danada começou a molhar meu capacete de novo. Olhei para a direção da nuvenzinha à minha direita e o que vi bem mais longe atrás dela não me agradou muito: uma coluna de chuva grande, talvez a uns 20km de distância. Resolvi abandonar a estrada e o pouso e seguir a favor do vento e para longe das chuvas. Fui contornando à esquerda de Mogiguaçu e alguns urubus amigos se juntaram a mim no momento preciso em que engatei em outra fraquinha. Dei um alô pra eles mas não estavam a fim de muito papo e tiraram mais pra frente. Fiquei ali rodando e esperando pra ver se eles achavam coisa melhor.

Outro conselho do mestre passou em minha cabeça "Não siga os pássaros. Siga-os apenas quando eles estiverem subindo e ainda estiverem mais baixo que você!" Fiquei aguardando rodando fraquinho e quando os urubus acharam eu joguei um pouco mais pra frente. Eu estava voando no azul há algum tempo e meu ritmo tinha diminuído bastante. Olhei para as chuvas e a pequeninha continuava vindo atrás de mim e molhando ocasionalmente minha viseira. Lá atrás a grandona parecia ter ficado maior ainda mas estava bem longe, com o maior pedaço de
sol entre a chuvinha e a chuvona. "Bem, pensei ainda tá tranquilo..."

Aproveitei para digitar um GOTO no fantástico vario Brauniger IQCompeo e a lista dos waypoints de Andradas ordenados pela facilidade de alcance (maior altitude estimada de chegada) surgiu na tela. Fui percorrendo as opções até localizar um que fosse pouso. O point
A33 chamava-se AERONOVO, pensei, "deve ser aeroporto". Na noite passada eu já tinha brincado dizendo que eu sofro de airport suck! Sempre que vejo um aeroporto bacaninha, com biruta, lanchonete, me dá vontade de pousar! Então meti um GOTO A33 e fiquei olhando a altitude estimada de chegada, só que ela ainda era negativa!

Como eu não queria chegar por baixo da terra achei melhor ficar derivando num zero a zero mais pra mais do que pra menos para ver se a altitude melhorava. A nuvenzinha me alcançou novamente. A nuvenzona vinha junto lá atrás. Os pousos eram fartos e os urubus continuavam zanzando por ali por perto mostrando que havia ar quente ao redor. Afinal ganhei um pouco mais de altura à medida que derivava para o A33 e quando a altitude marcou 150 mts acima, decidi que meu vôo tinha ficado muito lento e que a chuva estava andando mais do que eu, e resolvi por fim àquele vôo, que afinal já era meu "personal best" com mais de 50Km (o vôo deu 52Km). Grande decisão aquela, como eu iria descobrir em breve!

Parti para onde a setinha do GPS indicava novamente deixando a chuvinha pra trás. Ainda não dava para distinguir o aeroporto. Acho isso de perseguir waypoints desconhecidos no GPS um
lance muito maneiro, a gente acredita no aparelho e, de repente, tá lá o lugar na nossa frente. O tal aeroporto estava em construção e a pista era de terra batida. Não havia biruta mas o vento era muito fraco, se é que havia algum. Escolhi um quadradinho gramado ao lado da pista e preparei para tentar fazer um pouso de precisão nessa alvo,do tamanho talvez de um campo de futebol de salão, mas sem nenhum obstáculo em volta. A falta total de vento me surpreendeu com a velocidade da asa no solo sendo muito rápida. Achei que iria crashar a favor do vento mas era só impressão, essa asa é mesmo demais, tinha pressão para arredondar e o pouso se não foi suave, pelo menos foi bom e no alvo! Agradeci a Deus satisfeito, tirei o cinto e imediatamente peguei o radio pra passar que tinha pousado e dar minha posição.

Mike e Armando me copiaram e informaram que continuavam tirando alto na direção de Campinas. Eu pedi que Armando informasse ao resgate que eu havia pousado no A33 e como o
resgate estava com o mapa do campeonato, obrigado organização!, sabia que rapidamente eu seria resgatado. Fiquei ali um tempo curtindo aquela maravilhosa sensação de vôo que acho que só quem voa pode saber do que estou falando. Parecia que eu tinha acabado de viver um sonho, só que era real, era ali e tinha sido agora, que êxtase!

Comi uma barrinha de cereais e bebi água. Algumas gotas de chuva começaram a cair e pensei: olha minha nuvenzinha aí de novo. E olhei pra longe vendo a coluna mais forte de chuva que parecia parada na distância. Olhei para o hangar do aeroporto e falei: "taí um lugarzinho perfeito pra desmontar a asa" Caminhei uns 100 mts até o hangar mas quando entrei percebi que o mesmo estava completamente lotado! Não havia lugar para uma bicicleta sequer! Havia alguns caras da obra lá dentro do hangar e perguntei se não haveria por ali algum outro telhado qualquer. Eles me falaram que tinha um casebre ali do lado do hangar. Fui dar uma olhada e vi que daria para botar 60% da asa pra dentro, mas já era melhor do que nada. Fui lá e fiz mais 2 viagens, uma com o cinto e outra com a asa, e, quando terminei a operação, já chovia mais forte.

Impressionante o céu estava bem mais escuro e parecia que aquela coluna distante havia chegado bem mais rápido do que eu poderia imaginar, cerca de 20 minutos após meu pouso.
Logo a chuva caiu forte pra valer! O vento foi aumentando e pelo menos vinha da direção de onde a casinha tinha uma parede, pois as outras laterais eram abertas. Só que logo isso já não fazia mais diferença. A chuva aumentou mais e o vento aumentou muito e a chuva entrava agora pela lateral. Logo já chovia horizontalmente e eu me escondi atrás da parede. Quando eu achei que a coisa já tava feia, aí é que o bicho pegou mesmo! As rajadas de vento passaram a vir de todas as direções e o barulho da água no teto de metal era ensurdecedor! A asa estava tomando umas rajadas que ameaçavam fazê-la sair voando mesmo estando dentro da casinha. Lembro que pensei "Pô se eu tivesse pousado num descampado teria perdido minha asa novinha". Isso foi antes de eu pensar "Pô, se eu tivesse pego essa chuva em vôo seria fim de jogo pra
mim!" E um arrepio percorreu minha espinha. Na foto abaixo o momento do dilúvio.



A coisa é tão radical assim. Vento zero, chuvinha amiga, 20 minutos e...eu estava agora numa dessas filmagens de vendaval do Discovery Channel segurando minha asa pelos cabos do nariz e tomando um banho de água gelada ouvindo o vento zunindo. Tentei chamar Armando pelo radio para avisar o perigo mas eu não conseguia ouvir nada direito. Finalmente acho que passei a mensagem pois Armando me reportou que eles estavam seguindo bem tranquilos já próximos a Campinas. Relaxei quanto a isso e continuei ali segurando a asa. Uns 20 minutos depois o resgate chegou e a chuva já tinha diminuído bastante embora ainda estivesse ridiculamente forte! Meia hora depois a chuva parou e finalmente pudemos desmontar e partir para a operação resgate 2, que parecia que seria longo!

De fato eu gostaria muitíssimo de poder ter participado do vôo do Armando e do Mike que deve ter sido uma loucura, mas tive que participar pelo rádio e ficar impressionado com o tempo e a distância que eles já estavam botando. Pelo que entendi eles resolveram passar à esquerda de Campinas onde foram obrigados a fazer uma perna para a esquerda para poder continuar perseguindo a formação. O tempo todo eles tinham estado navegando na beirada da formação, e agora, já no final da tarde eles reportavam térmicas consistentes porém mais espaçadas e com teto de 2.700 mts. Conseguiram chegar até Atibaia onde sobrevoaram o pouso de Atibaia muito altos, a mais de 2.500 mts, e, daquela altura, o pouso lhes parecia tão pequeno que resolveram tirar mais um pouco,quando finalmente localizaram um pouso confortável ao lado da rodovia Dom Pedro. Um vôo de 125Km em linha reta e talvez de uns 160 Km voados, devido ao desvio que tiveram que fazer!!

Caraca! Que semana de vôo galera! Essa não vai dar pra esquecer nunca!! Esse esporte nos leva a realizações pessoais impressionantes, lugares inimagináveis, aventuras
inesquecíveis! É acho que não vai dar pra parar de voar tão cedo!!!

Este vôo está no XC Brasil em http://xc.ciclone.com.br/modules.php?name=leonardo&op=show_flight&flightID=895 e o vôo do Armando está em
http://xc.ciclone.com.br/modules.php?name=leonardo&op=show_flight&flightID=887

Thursday, November 30, 2006

Flight Academy with Mike Barber in Andradas – Part 2

(Please refer to the pictures below in the portuguese version of this post.)

Thursday greeted us with a blue sky, a beautiful day promising a classic flight! We decided to change our “base-camp” to the Pousada Pico do Gavião, a much more bucolic environment at the foot of the ridge, and, upon getting settled, we were soon driving to the ramp, where we set-up while a consistent South-Southwest Wind exerted pressure on our faces and gave the tone of what seemed to be a nice flying day. Notice the hand-painted Sky waiting for us!

We decided to come up with a task just so we could fly with an objective and the task comitee called for a triangulation between the launch, the city of São João da Boa Vista, the city of Aguaí and back to the launch at the official South LZ; making up a total 75Km.

Even though the sky looked real nice we stayed for a good while at the ramp waiting for some positive sign of sure lift.

Fabinho on a low-performance Quero-Quero glider, single surface, king-posted wing took-off first and lost a lot of height as he sinked towards the South LZ. I thought his flight would be over then, but the kid is very talented and held on, scratching real low.

Meanwhile at the ramp some signs of lift started to show: swallows diving at the ramp and a giant buzzard turning lazily on the middle of the valley.

Still a little unsure, Mike decided it was time to take-off and went next, clinging to a weak thermal really close to the terrain to the left of the ramp. I asked him on the radio if he thought the thermal would hold and he said I might as well give it a try. So I took off next and, in a good oportunistic move, turned really tight to catch the end of the thermal, a little lower.

That it was the end of the thermal was soon proved as Armando took off third and went to the same spot not finding anything. While our climb rate only improved, we could only watch Armando sinking along the ridge, while Fabinho still scratched at a height that, from our p.o.v. seemed like 1 meter above the terrain.

While we waited for armando to do something me and Mike drifted over the back reaching 2.500m amsl with comfortable lift.

I got distracted for a while, and was surprised to see Armando higher than I was, closer to the city of Andradas on the left, I thought he should have caught a real good one, Mike cheered him up through the radio “Good job Armando!”.
While I admired the view and Armando´s quick climb I got a call from Mike “Fabiano where do you think you´re going? You´ve just lost 100 mts in this last couple turns, get back NOW! Ashamed of myself I tried to recover, losing even more height but quickly relocated the core and continued climbing.

The thermal centering techniques were already beggining to work out.
Mike calls this technique the “clover leaf pattern”. If you´ve read the book “Secrets of Champinos” by Dennis Pagen, you know that this technique consists of extending the turns always alittle bit on the direction of stronger lift, continually relocating.

At this time I heard Mike telling Armando to slow down, I looked for him where I had last seen him but the slippery Armando was already at the right end of the ridge gliding towards the first turnpoint. Meanwhile Fabinho had slowly climbed and was starting to move in our direction. This was the last I would see of him during this flight though his single surface unable to stand the long glides in descending air.

While Mike tried to hold Armando back a little bit, so that we could fly together, he told me to fly faster. I am more of a contemplative pilot, or at least I was, truth is that I wasn´t prepared for the speed and intensity that mikes teaches us to put into the XC flight.

Armando, already more used to that, took the lead and glided ahead, glued to a dark cloud base. Mike came on the radio and told Armando to get closer to the edge of the cloud and not to fly so close to the base on the middle of it. A few seconds go by without an answer from Armando and Mike calls again: “Armando you´re in too deep, get out now!”. Again Armando was silent. I was gliding towards Armando´s base getting there a little lower than him. I tried to locate him looking up, until I saw him, his Aeros Combat glowing bright orange against that dark grey base. I thought “What an amazing view, too bad I don´t have a camera in my hands right now!”. Mike came in a third time: “Armando you´re getting whited-out, get outta there now!”. I was starting to get nervous and came in the frequency in portuguese and told Armando that Mike wanted him to leave that base immediately. Armando finally answered quite calmly saying “Oh ok, I wasn´t hearing what he was saying.”

Soon I was starting to grasp the speed of the glides and the quick analysing of the conditions of a high level XC flight. I had the privilege of following Armando and Mike and take advantage of their lines. Mike was now leading and explaining his decisions real time. The first leg towards São João was crosswind and it was fast.

Between São João and Aguaí the leg was upwind and we had our pace greatly reduced as we took on a piece of blue skies. A lot of work was put into the upwind leg! I started to get a little behind the “main gaggle” but still kept on pushing. When I finally had Aguaí within glide they were both high over there and starting to come back. I decided to give up the turnpoint and stick along to them.

On the way back, the formations over the ramp had darkened considerably and we could see some rain showers on the horizon. As we got back over the São João airport we had close to two hours of flight and, on my third straight flying day, with six accumulated hours , I was feeling my arms quite tired. With some 32Km away from launch and some 50 Km flown total, I reasoned that my fatigue and the general strengthening of the condition closer to the ridge wouldn´t make a nice combination and I decided to land at the airport, where the wind was blowing hard and variable.

Landing wasn´t so smooth, I came down vertically against the wind but on short final the wind stopped and I didn´t get much lift on flare and did a classic nose “caboiiing” and scratched my knee. No further damage! Looking back I should have had some VG on and should have come way faster than I did. Anyway I was stoked!

Then I was quicly retrieved and we went to retrieve the other two, who had made goal with height to spare, and even took a quick leg to the city of Espírito Santo do Pinhal before coming in to a comfortable landing.

End of third day, everybody with a “big head” (brazilian slang for “satisfied”)

This flight data is published on the brazilian Leonardo server at:
http://xc.ciclone.com.br/modules.php?name=leonardo&op=show_flight&flightID=894

The most important thing was that the condition kept improving. We went to sleep early with real bad-intentions for the next day!

Flight Academy com Mike Barber em Andradas - Parte 2


A quinta-feira amanheceu azul, dia lindo prometendo vôo clássico! Resolvemos nos mudar para a Pousada do Gavião e, feita a mudança, logo subíamos para a rampa onde montamos o equipo enquanto um vento forte de Sul/Sudoeste botava pressão na cara e dava o tom do que prometia ser um belo dia de vôo, reparem que pintura de céu nos aguardava!


Resolvemos estabelecer uma prova apenas para voar com um objetivo e o "comitê de prova" chamou uma triangulação [Rampa - São João da Boa Vista - Aguaí - Rampa] para uma prova de 75Km. Mesmo com o céu bonito assim,ainda ficamos um bom tempo na rampa aguardando algum sinal positivo de que havia lift seguro.

Fabinho, numa asa quero-quero, decolou em primeiro mas foi logo afundando direto pro pouso sul. Achei que o vôo dele tinha acabado, mas o moleque (22 anos) é talentoso e ficou segurando, brigando muito, bem baixinho.

Enquanto isso na rampa alguns sinais de lift se faziam notar : algumas andorinhas passaram liftando na cara da rampa e um urubu circulava ganhando longe no meio do vale.

Ainda um pouco desconfiado, Mike achou que era hora de decolar e foi em primeiro logo engatando numa fraquinha bem colada no morro à esquerda da rampa. Perguntei pra ele no rádio se ele achava que a termica valia e ele achou que eu podia tentar. Decolei logo atrás e
com bom oportunismo girei apertado no lift bem colado no morro e entrei no final da térmica, um pouco abaixo dele.


Que era mesmo o final da termal ficou comprovado quando Armandinho decolou , jogou exatamente ali e já não achou mais nada! Enquanto nossa térmica aumentava em razão de subida víamos o Armando perdendo altura ao longo da cordilheira e o Fabinho que, de nossa altura, já parecia estar colado no chão.
Enquanto aguardávamos o Armando, eu e Mike derivávamos para trás da rampa chegando a uns 2.500mts e com sustentação confortável.

Nessa hora me surpreendi com a visão do Armando mais alto do que eu e bem mais pra perto de Andradas, pensei "Pô o Armandinho deve ter pego um canhão". Mike incentivou pelo radio"Good Job Armando!".

Enquanto eu apreciava a paisagem e aguardava o Armando chegar me distraí um pouco e caí da termal tomando imediatamente uma chamada da "chefia": "Fabiano para onde você pensa que está indo? Você acaba de perder 100 mts nessa manobra! Get back NOW!".
Envergonhado tentei recuperar, perdi ainda um pouco mais, mas felizmente voltei a achar o miolo e continuei ganhando. A técnica de centralização em térmicas ensinada já começava a fazer efeito.

Mike Barber chama isso de "Clover-leaf Pattern", ou "Padrão de Folha de Trevo". Quem já leu a entrevista dele no livro "Secrets of Champions" do Dennis Pagen sabe que a técnica consiste em estender um pouco as curvas sempre na direção do maior apito do vario.

Nessa hora ouvi o Mike falando pra o Armando "Slow down Armando!" e eu ainda olhei procurando o Armando onde o tinha visto pela última vez, perto de Andradas, mas o tinhoso Armando já tinha nos deixado pra trás e já estava na outra ponta da cordilheira tirando pra São João da Boa Vista! Enquanto isso o Fabinho tinha se levantado das profundezas do pouso sul e já vinha se juntar a nós para a tirada!

Mike ficou com o difícil trabalho de "frear" o Armandinho, que é um voador "ensaboado", enquanto me obrigava a acelerar mais. Eu sou um voador mais do tipo contemplativo, ou pelo menos eu era... A verdade é que eu simplesmente não estava preparado para a velocidade do vôo que o Mike ensina a imprimir ao cross!

Armando já bem mais acostumado com isso, seguia na frente soltinho e voava colado na base de uma nuvem escura quando Mike avisou no rádio "Armando vem pra beira da nuvem, você está voando muito próximo à base". Alguns segundos se passaram sem resposta do Armando e nova chamada "Armando you´re in too deep, get out now!!". Novamente o Armando ficou em silêncio. Eu tirando na direção da térmica do Armando e chegando um pouco mais baixo do que ele, procurava o Armando olhando pra cima até que o vi, a asa Aeros Laranja contra uma base muito preta! "Que visual alucinante, pensei, pena que não dá pra tirar essas fotos nessas horas! " Mike chamou outra vez "Armando você está entrando na nuvem, sai daí do meio agora!". Aí eu não aguentei e entrei na linha:"Armandinho o Mike quer que você saia de perto da base AGORA!" e finalmente o Armando calmamente "Ah ok, eu não tinha ouvido direito o que ele estava falando!!"

Logo comecei a entender a velocidade das tiradas e a rapidez na tomada de decisões do vôo de cross de alto nível. Tinha o privilégio de poder ficar seguindo o Mike e o Armando e tomando partido das linhas mostradas por eles. Enquanto isso Mike Barber ia na frente tomando as decisões e explicando porque fazia cada escolha. A primeira perna pra São João foi de vento cruzado e fomos rápido.
Fabinho ficou pra trás, era realmente impossível acompanhar o ritmo das topless na tirada!

Entre São João e Aguaí a perna era de contra vento e fomos devagar sob um céu bem azul. Muita ralação voando de contravento! Deu um trabalho danado e eu fui ficando mais pra trás que os 2 mas continuava sempre seguindo em frente. Quando eu tirei e estava quase em Aguaí Armando e Mike já estavam lá no meio da cidade bem altos e começando a voltar. Resolvi voltar dali mesmo para ir junto com eles.

No caminho de volta as formações sobre a cordilheira da Rampa haviam escurecido bastante e era possível ver algumas chuvas no horizonte. Quando passamos sobre o aeroporto de São João novamente, dessa vez a favor do vento, já tínhamos 2 horas de vôo e, no meu terceiro dia seguido de vôo com 6 horas acumuladas eu estava sentindo meus braços muito cansados. Com 32 Km de distãncia da rampa e uns 60 Km voados no total resolvi que o cansaço e a perspectiva de aumento na turbulência não seriam boa combinação e resolvi pousar no aeroporto de São João, onde o vento havia aumentado bastante.

O pouso foi bem ruinzinho, eu vim descendo na vertical com o vento forte e no final a asa não tinha muita pressão pra arredondar, resultando num caboing de bico e uma joelhada no chão. Nenhum estrago! Na verdade eu tinha era que ter caçado o VG e acelerado bem mais, mas não houve danos e eu estava amarradão!

Depois fomos resgatar Armando e Mike que haviam completado a prova de 75Km a ainda tinham tirado pra Espírito Santo do Pinhal para um pouso confortável! Fim do 3o dia, todo mundo cabeção, show de bola !!
Os dados deste vôo estão publicados no XC Brasil no seguinte link:
O mais importante era que a condição continuava a evoluir. Armando foi dormir cedo e, como de costume, cheio de má-intenção na cabeça para o dia seguinte!
Aguardem brevemente a continuação desta história na parte 3, o que dia em que a condição realmente pipocou!!

Flight Academy com Mike Barber em Andradas - Parte 1

Aquela ida para Andradas tinha um clima de repetição... O céu cinzento na saída do Rio e muita chuva no caminho me faziam temer uma reprise da semana da etapa do Campeonato Brasileiro de Andradas, onde as chuvas praticamente não haviam dado trégua.

Eu tinha apostado minhas fichas em que, após 15 dias de chuvas quase ininterruptas na primeira quinzena de Novembro, não era possível que o tempo não abrisse um pouco. Novembro, apesar de ser no meio das chuvas de verão, costuma apresentar janelas de tempo muito bom e eu acreditava que uma dessas janelas poderia abrir após a frente-fria que se despedia do sul e ainda causava chuvas em Minas e no Rio.

Ao chegar em Andradas à meia-noite entrei no quarto do Palace Hotel reconhecendo aquele cheiro do quarto durante o brasileiro, mistura de eucalipto, umidade e mofo, e não pude deixar de ficar apreensivo. E se a frente fria ficasse estacionária como no Brasileiro?
Mesmo assim, fui dormir otimista, pois a previsão do tempo mostrava que, ao menos no Sul, a massa de ar quente começava a dominar... Alguma hora isso tinha que chegar até Andradas.


No dia seguinte acordo, abro a janela e...decepção... o teto abaixo da cordilheira, tudo molhado... Sensação de "dejá-vu" lembrando do Sidney abrindo a janela do quarto durante o brasileiro e vendo a mesma cena todos os dias, aquela cordilheira encoberta... "Que delícia!!" exclamava o incorrigível otimista "Espetáculo!" e voltava pra cama dele pra dormir!!

Tudo bem já havíamos programado um "ground school" anterior ao primeiro vôo. Uma conversa para avaliar meus conhecimentos e explicar o método que ele usava. Fomos para a Pousada do Gavião e ficamos ali conversando por horas sobre formatos de térmicas, técnicas de centralização, rapidez na tomada de escolhas, necessidade de seguir as instruções dele imediatamente para não desperdiçar o dia de vôo com um pouso prematuro!
Essa, aliás, é a principal vantagem de fazer a instrução com aerotow, como ele desenvolveu na Florida. Com o aerotow você pode perder, pousar e subir de novo, com isso ele pode coordenar até 4 alunos de uma vez. Na decolagem de rampa a gente só tem uma chance por dia. Considerando o custo de toda a operação envolvida nessa viagem, isto tornaria cada vôo bastante crítico para o sucesso da viagem. Nossa janela era de 5 dias e eu estava determinado a não bobear!

O tempo ameaçou dar uma melhorada, azulando na direção de Poços de Caldas. O teto subia ligeiramente e um pouco de céu azul dava para ser visto na direção da cordilheira! Finalmente decidimos subir. Ao chegarmos na rampa uma surpresa agradável, outras 4 asas estavam montadas. Era o Fabinho de Andradas e um pessoal de Santa Catarina: Joel, Silvio e a Belém que aparece na foto ao lado com sua bonita asa, uma Litesport 3.5 que foi a primeira Litesport neste tamanho entregue em produção pela Moyes!

Montamos nossas asas com calma, conversando sobre reconhecimento dos padrões da condição. A idéia é sempre aguardar o primeiro sinal positivo de lift antes de decolar, mas não decolar depois desse sinal, mas sim esperar para que o sinal se repita com regularidade e tentar encaixar a decolagem no ínicio de um ciclo como esse.

Estávamos prontos para a decolagem por volta das 16hs, ou 15hs da hora solar verdadeira, devido ao horário de verão. Vento frontal levinho na rampa sul. Mike decolou na frente e mostrou que havia sustentação à vontade.
O tempo estava nublado, teto por volta de 2.200mts, mas no final do vôo já era possível divisar formações de cumulus e o teto subiu mais um pouco
Fizemos um vôo local de 2 horas muito bonito, acompanhados aqui e ali pelas outras asas, que aproveitaram para também tirar uma casquinha das térmicas indicadas pelo Mike.

Este vôo foi excelente para o primeiro dia do curso, fundamental para Mike poder colocar em prática seus ensinamentos e pouco a pouco ele ia me falando tudo que eu estava fazendo errado. Para que não está habituado ao estilo dele, pode parecer até que ele está zangado com a gente, mas como ele mesmo diz repetidamente ele depende da palavra mágica "AGORA!" pra fazer a coisa funcionar, então ele não deixa passar falhas, corrige na hora, o tempo todo!!

Então era só rodar um pouquinho fora do lugar e ele gritava "Turn! Turn! AGORA!" e lá ia eu. Ou quando eu passava da térmica e ele gritava "Where are you going? You just lost 30 meters! Come back! Turn! NOW! AGORA!" E lá ia eu obedecendo!! De repente o Mike sumia, cadê ele? Tava lá no alto, tinha botado 2500 mts, eu tentava ganhar mas não conseguia, ficava por ali boiando no lift sem engatar na térmica correta e ele entrava no radio:

-Fabiano, a tua térmica tá evoluindo?
-Não
-Então o que que você está fazendo aí parado?? Get outta there! NOW!

Eu ia para outro lugar e quase sempre de fato havia outra térmica melhor evoluindo e eu engatava e começava subir mais rápido, olhava pra cima pra procurá-lo mas ele tinha sumido.

Entra de novo a voz dele pelo rádio: "bota a mão esquerda mais pra esquerda, aproxima a cabeça do canto da barra". Eu olhava para o alto mas não o via, e estava pensava "como é que ele sabe aonde que eu tô com a mão pombas?" É porque ele já tinha rodopiado pra baixo e estava voando atrás de mim! Ele faz isso várias vezes!

- Fabiano você está glissando, empurra a barra de comando pra frente um pouquinho!
- Ok!
- Empurrou demais, volta um pouquinho
- Ok!
- Agora faz a posição de high-side que eu te ensinei
- Ok!
- Now you´re looking like a pro
- Gotta look good Mike!

No final da semana eu já tinha me acostumado com a voz que parecia vir do além dando ordens: "faz isso, faz aquilo!" Fantástico!

Naturalmente não é sempre que o vôo permite tanto conforto quanto permitiu nos dois primeiros dias onde a cordilheira era como uma bóia no meio de uma piscina de oportunidades. Isso possibilitava que discutíssemos possíveis gatilhos de térmicas, então ele partia na frente para ver se funcionava. Eu partia depois e como ele chegava primeiro ele podia me dizer se havia conseguido alguma coisa, caso contrário eu voltava imediatamente para a cordilheira e a gente rediscutia as opções!

Depois de 2 horas de vôo eu estava enroscando nas térmicas com muito mais facilidade e subindo de forma muito mais eficiente! Ainda tentávamos explorar fora da cordilheira mas realmente neste dia só a cordilheira funcionava! Mike tirou para o pouso falando que ia pousar na frente para avaliar minha aproximação e meu pouso.

Ok, sem querer errar, mas também sem querer fazer nada diferente do que faço normalmente para ele poder de fato me corrigir, vim para um pouso muito fácil, na verdade meu melhor pouso até hoje no pouso sul, arredondando perfeito, em frente à árvore. Onde todo o resto da galera já tinha pousado.

Pouso Perfeito? Fui advertido de que eu tinha dado uma arrastada com o pé no capim, e que isso poderia ser perigoso caso o capim escondesse algum torrão de barro, raiz, etc. "Você tem que imaginar que o chão está meio-metro acima do capim e fazer o pouso meio-metro acima, não vai mudar nada mas você se livra de um risco de torcer o calcanhar". Ok, anotado. Conviver com Mike Barber é assim, você aprende um pequeno detalhe que melhora teu vôo o tempo todo. Armandinho falou bem: tem que andar com um caderninho!!

Na foto acima desmontamos satisfeitos. Um bom começo para a semana!


No dia seguinte o céu amanheceu azul e logo várias formações sobrevoavam Andradas. Na rampa, um vôo parecido, só que o vento, novamente frontal na rampa sul, estava bem mais forte. O céu ainda bastante encoberto já mostrava que ia abrir mais. O vento estava forte mas esperávamos que ele fosse diminuir. Isso acabou não acontecendo. Na verdade o vento estava aumentando constantemente, até que os breves ciclos de diminuição de vento pararam e o vento ficou cada vez mais forte e constante no máximo a 25 Km/h

Na foto abaixo Joel e Silvio dão um cabo na minha decolagem. O vento forte na decolagem bem inclinada do pouso sul fazia um rotor na cauda da asa e era difícil mantê-la com a inclinação correta. A asa começava a flutuar no ombro e embicar pra baixo. Seria o caso de um terceiro ajudante na quilha. Acabou não sendo necessário pois o vento era muito constante, depois de botar a asa no ombro umas 3 vezes, botei no ombro já em movimento e saí voando no 2o passo!

Dessa vez eu estava bem mais afinado e meu vôo foi bem mais eficiente. Apesar de as formações estarem melhor definidas, continuávamos não encontrando nada abaixo das nuvens que surgiam sobre o vale sul, afastadas da cordilheira.

Mike chegava a tirar bem longe, ficava catando e ficava tão baixo que eu achava que ele ia pousar mas ele sempre achava alguma coisa suficiente para voltar à cordilheira e logo estava a meu lado de novo. Ficamos nessa, não havia tirada a fazer, mas mesmo assim foi mais um excelente treino pois conseguíamos nos afastar bastante da cordilheira e pude fazer comparações na performance de meu equipamento com o dele. Na verdade eu não tenho mais desculpa nenhuma, a asa dele é super regulada, e nós pudemos comprovar que eu não devia nada em relação à ele na tirada.

Melhor do que isso, voar na Litespeed S 4 tem sido realmente uma experiência maravilhosa. A asa é simplesmente um sonho!

Continuamos o exaustivo mas recompensador treinamento por uma hora e meia e depois fomos para o pouso. Dessa vez não pousei tão bem e o motivo foi que devido ao vento mais forte eu tinha que ter acelerado bem mais.

A galera de Santa Catarina ainda estava na rampa esperando o vento diminuir e finalmente decolaram. Quando saímos do pouso sul às 18hs eles ainda estavam alto, pra lá e pra cá, depois nos falaram que só pousaram às 19:30hs tendo assistido o por-do-sol no ar! Armandinho ia chegar naquela noite e no dia seguinte a intenção era ir para a tirada pois a condição estava claramente evoluindo!

Saturday, May 20, 2006

Nova Iguaçu - Clube CEU

No dia 19 Maio de 2006 eu o Armando Pires e o Enio Wilson fomos conferir um vento Norte na Rampa de Nova Iguacu. Armando já vinha cheio de maldade para tentarmos a travessia para a Barra da Tijuca!

10 da manhã, asas na Ranger, no posto de gasolina em Nova Iguacu, conferindo com os gaioleiros para saber como estava a estrada!



Os aventureiros adrenalizados chegando na rampa!!



O vento estava forte e lateral pela esquerda, ou seja, mais de NW do que de Norte, que seria o vento preferencial para decolar. Sendo assim aguardamos até que o vento endireitasse um pouco mais!



Nesta foto podemos observar a vista da rampa e as fumaças mostram o vento NW lá embaixo!



Não tiramos fotos do vôo mas logo após a decolagem alcançamos 1600 a 1800 mts sobre o vulcão e olhávamos para a Barra que agora parecia um objetivo alcançável. Após 45 minutos de vôo local em Nova, chegou a turma dos voadores Dinossauros, nos chamaram no rádio, chegaram até nossa altura e tiraram para a Barra! Não íamos ficar fora dessa, então tiramos junto! Após a primeira sobre o Gericinó, ganhamos altura novamente sobre o Campo de pólo do exército na Av. Brasil, e atravessamos alto e rapidamente o alinhamento com a pista do Campo dos Afonsos, mas a 4.500 pés naquele ponto estávamos fora das rotas. Depois dali o vento forte nos empurrava rapidamente em direção à Barra, nova tirada nos levou a ficar sobre a Serra da Pedra Branca, sobrevoando o PROJAC. Finalmente uma última tirada garantiu o pouso no CLUBE CEU ao lado do autódromo. Foram mais ou menos 35 Km de vôo em 2 horas, descontando uns 45 minutos em vôo local sobre o vulcão!! Abaixo o tracklog do vôo:



O tracklog do vôo mostra o início do vôo com permanência sobre a Serra de Nova Iguacu, também chamada de Serra do Mendanha ou Serra do Vulcão. De lá para a Barra, atravessa-se as aprazíveis localidades de Sulacap e Realengo, depois dessa selva de pedra é um alívio alcançar a Serra da Pedra Branca. De lá após uma térmica fraca ficou fácil alcançar o Rio 2, o CEU e até a praia da Barra, mas optamos por pousar no CEU devidoo ao conforto!! Em que outro lugar a gente poderia pousar, estacionar as asas como num aeroporto, só que na grama, comer um sanduíche tomando uma água-de-coco geladíssima enquanto esperávamos o resgate chegar!! ?? Show!!!

Nova Iguaçu - Clube CEU crossing

(for the pictures please refer to the portuguese version of this text at http://flyingfab.blogspot.com/2006_05_01_archive.html)

On May 19th, 2006, me Armando Pires and Enio WIlson decided to check-out a North wind day at the Nova Iguaçu ramp. Armando was already badly intended on crossing back to the South Zone of Rio and try and land at the Barra da Tijuca beach.

So it´s 10 am and we are already parked at the gas station trying to figure out whether to climb the steep and muddy road to the ramp on my car or ride the gaiolas, which are amazing little buggies that climb the road to the ramp better than most 4x4 vehicles. We end up riding my Ford Ranger which doesn´t let us down and makes the ramp without much difficulty, I was impressed by the dangerous conditions of the road, (at that time I still didn´t know that I would have a lot of trouble with that road in the future).

photo 1

The adrenalized advernturers arrive on the ramp, the day is still clear blue.

photo 2

The wind was strong and sidewise from the left, more Northwesterly than North. North would be the best wind direction to take off from. We decided to wait for a while to see if the wind was gonna hit it more straight, but it didn´t happen.

photo 3

On the next picture we can see the view from the ramp, overlooking the suburban city of Nova Iguaçu, the smoke on the deck shows Northwest. The bomb-out lading options are at the foot of the hill, If you clear Nova Iguaçu to most directions you fly over nice landing zones. Maybe not very nice neighbourhoods though...

photo 4

We didin´t take inflight pictures but we basically reached 1600 mts right after takeoff after battling to core a twitchy thermall, and a beautiful and fresh cloud base began forming. We eventually climbed to 1.800 mts and enjoyed the local view without really going anywhere for the first 45 minutes. Then the Rio de Janeiro bunch of older pilots, who we affectionely call the "Dinosaurs", arrived at the ramp and called us on our radios to know what was going on up there. They quickly setup, took off, climbed and briefly joined us before departinto the crossing to Barra. Well we wouldn´t miss this opportunity to learn with those that knew the way so we followed, altough we couldn´t match the glide ratios of their topless (we were flying: my litesport, Armando´s U2 and Enios Old Laminar, all king-posted, I had a slight edge with the Litesport). We found anoter climb over the Gericinó preserve, and were quickly drifting over the Av. Brazil, the vusiest downtown road in Rio and it seemed amazing that I was finally doing the crossing and right over the most hostile landing territory I could count on easy landings far away, because we were high enough and the wind drifting was helping so much. We tried to cross the final approach path over the Campo dos Afonsos military airport, but at the height we were, some 4.500 ft, we were out of the routes. Soon it was time to take options again. The Dinossaurs had gone east maybe trying to reach the São Conrado beach, we were being pushed to the Serra Branca mountains and it looked a good place to search for thermalls.

Flying over the North side of the Pedra Branca, while searching for thermalls can be quite unnerving as there are no landing options to the North and you don´t want to spend too much time there before throwing it over the back towards Barra and the open landing options. Fortunately Armando found a little climb and we guaranteed another 5 hundred feet which already had my Compeo saying that I could get to the CEU Ultralight club.

Below you can see the track log for this flight:

photo 5

Reaching CEU was already beyond my expectation for that day. I dived into CEU direction with some height to spare and enjoyed very much maneuvering to lose altitude over the grassy landing runways and over the large saltwater lake. Armando was intent on reaching the beach. For that he would need height for another 2 km flying, with the problem that he would have to cross the wall of high rising buildings that front the beach. As I said that I wouldn´t try he eventually gave uop the idea. Later he would moan about it a little bit, because he was a little higher than I was. But all in all I think it was a great decision to land at CEU with all the confort of landing in the 21-03 grass runway, perfectly aligned with the Northerly wind, taxiing to the nice ultralight grassy parking spaces, breaking down in the shade, drinking icy cold coconut water from the bar. What a way to end up a friday afternoon!

photo 6